segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Teleologia infantil e crença em deus

 (O psicólogo Paul)''Bloom também sugere que temos uma predisposição inata para ser criacionistas. A seleção natural "não faz sentido intuitivamente". As crianças são especialmente propensas a dar um propósito a tudo, como afirma a psicóloga Deborah Keleman em seu artigo "São as crianças 'teístas intuitivas'?".81 Nuvens servem "para chover". Pedras pontudas servem "para os animais poderem se coçar nelas". A designação de um propósito para tudo é denominada teleologia. As crianças são teleológicas por natureza, e muitas nunca abandonam a característica. O dualismo inato e a teologia inata nos predispõem, sob as condições certas, à religião, assim como a reação à bússola de luz de minhas mariposas as predispunha ao "suicídio" inadvertido. Nosso dualismo inato nos prepara para acreditar numa "alma" que habita o corpo, em vez de ser parte integrante do corpo. É fácil imaginar um espírito imaterial assim indo para algum outro lugar depois da morte do corpo. Também é fácil imaginar a existência de uma divindade que seja puro espírito, não uma propriedade que emerge da matéria complexa, mas que existe independentemente da matéria. Mais óbvio ainda, a teleologia infantil nos deixa prontos para a religião. Se tudo tem um propósito, qual é esse propósito? O de Deus, é claro. Mas qual é o equivalente da utilidade da bússola de luz das mariposas? Por que a seleção natural pode ter favorecido o dualismo e a teleologia no cérebro de nossos ancestrais e de seus filhos? Por enquanto, meu relato sobre a teoria dos "dualistas inatos" propôs simplesmente que os seres humanos são dualistas e teleólogos por natureza. Mas qual seria a vantagem darwiniana? Prever o comportamento de entidades de nosso mundo é importante para nossa sobrevivência, e seria de esperar que a seleção natural tivesse moldado nosso cérebro para fazê-lo com eficácia e rapidez. Será que o dualismo e a teleologia nos são úteis para essa capacidade? Talvez compreendamos melhor essa hipótese à luz daquilo que Daniel Dennett chamou de postura intencional. Dennett oferece uma classificação tripla útil para as "posturas" que adotamos quando tentamos entender e portanto prever o comportamento de entidades como animais, máquinas ou uns aos outros.82 São elas a postura física, a postura de projeto e a postura intencional. A postura física sempre funciona em tese, porque tudo acaba obedecendo às leis da física. Mas compreender as coisas usando a postura física pode demorar demais. Até que tenhamos nos sentado e calculado todas as interações das partes móveis de um objeto complicado, nossa previsão sobre seu comportamento provavelmente vai estar atrasada. Para um objeto que realmente tenha sido projetado, como uma máquina de lavar roupa ou um arco para lançar flechas, a postura de projeto é um atalho económico. Podemos adivinhar como o objeto vai se comportar passando por cima da física e apelando direta-mente ao design. Dennett diz: Quase todo mundo é capaz de prever quando o alarme de um relógio vai tocar, com base na mais simples inspeção de seu exterior. Ninguém sabe nem quer saber se ele é movido a corda, a bateria, a energia solar, feito com roldanas de metal e mancai de pedra preciosa ou de chips de silício — simplesmente se assume que ele foi projetado para que o alarme toque quando está marcado para tocar. Os seres vivos não foram projetados, mas a seleção natural darwiniana nos permite adotar uma versão da postura de design para eles. Obtemos um atalho para entender o coração se assumimos que ele foi "projetado" para bombear o sangue. Karl von Frisch foi levado a investigar a visão colorida das abelhas (dian-te da opinião ortodoxa de que elas não distinguiam cores) porque assumiu que as cores vivas das flores foram "projetadas" para atraí-las. As aspas foram projetadas para espantar criacionistas desonestos que senão poderiam reclamar o grande zoólogo austríaco para o seu time. Nem é preciso dizer que ele foi perfeitamente capaz de traduzir a postura de projeto para os termos darwinianos adequados. A postura intencional é outro atalho, e dá um passo além da postura de projeto. Assume-se que uma entidade não só foi projetada para um fim mas que também é, ou contém, um agente com intenções que orientam suas ações. Quando você vê um tigre, é melhor não demorar muito para prever o provável comportamento dele. Deixe para lá a física de suas moléculas, deixe para lá o design de membros, garras e dentes. Aquele felino quer comê-lo, e vai empregar seus membros, patas e dentes de formas flexíveis e habilidosas para concretizar sua intenção. O meio mais rápido de adivinhar o comportamento dele é esquecer a física e a fisiologia e passar à busca pela intenção. Note que, assim como a postura de projeto funciona mesmo para coisas que não foram realmente projetadas, assim como para as que foram, a postura intencional funciona para coisas que não têm intenções conscientes deliberadas, assim como para coisas que têm. Parece-me inteiramente plausível que a postura intencional tenha valor de sobrevivência como mecanismo cerebral que acelera a tomada de decisões em circunstâncias perigosas e em situações sociais cruciais. Não fica tão imediatamente claro que o dualismo é um concomitante necessário da postura intencional. Não explorarei a questão aqui, mas acredito ser possível desenvolver a tese de que algum tipo de teoria de outras mentes, passível de ser descrita como dualista, tende a ser subjacente à postura intencional — especialmente em situações sociais complicadas, e ainda mais especialmente onde a intencionalidade de ordem mais elevada está em jogo. Dennett fala da intencionalidade de terceira ordem (o homem achou que a mulher sabia que ele gostava dela), de quarta ordem (a mulher percebeu que o homem achava que ela sabia que ele gostava dela) e até de quinta ordem (o xamã adivinhou que a mulher percebeu que o homem achava que ela sabia que ele gostava dela). Ordens muito elevadas de intencionalidade são reservadas provavelmente à ficção, como satirizou o hilariante romance de Michael Frayn The tin men [Homens de lata]: "Observando Nunopoulos, Rick soube que ele tinha quase certeza de que Anna sentia um fervoroso desprezo pelo fato de Fiddling-child não ter percebido o que ela sentia por Fiddlingchild, e ela sabia também que Nina sabia que ela sabia que Nunopoujos sabia [...]". Mas o fato de que somos capazes de rir com tamanho contorcionismo ficcional da inferência em outras mentes prova-velmente nos revela algo de importante sobre a forma como nossa cabeça foi naturalmente selecionada para funcionar no mundo real. Em suas ordens menos elevadas, pelo menos, a postura intencional, assim como a postura de projeto, economiza um tempo que pode ser vital à sobrevivência. Em conseqüência, a seleção natural moldou os cérebros a empregar a postura intencional como atalho. Somos biologicamente programados para imputar intenções a entidades cujo comportamento nos interessa. Mais uma vez, Paul Bloom cita evidências experimentais de que as crianças são especialmente propensas a adotar a postura intencional. Quando bebés vêem um objeto que aparentemente segue um outro objeto (por exemplo numa tela de computador), eles assumem que estão testemunhando uma caçada ativa por parte de um agente intencional, e demonstram esse fato manifestando surpresa quando o suposto agente abandona a perseguição. A postura de projeto e a postura intencional são mecanismos cerebrais úteis, importantes para acelerar a previsão de comportamentos de entidades que
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influenciam na sobrevivência, como predadores ou parceiros em potencial. Mas, assim como outros mecanismos cerebrais, essas posturas podem dar errado. As crianças, e os povos primitivos, imputam intenções ao clima, a ondas e correntes, a pedras que caem. Todos nós tendemos a fazer a mesma coisa com máquinas, especialmente quando elas nos deixam na mão. Muitos vão se lembrar com carinho do dia em que o carro de Basil Fawlty* quebrou no meio de sua missão vital para salvar a Noite Gourmet do desastre. Ele foi justo e avisou, contando até três, e então saiu do carro, pegou um galho e atacou o carro sem dó nem piedade. A maioria de nós já sentiu isso, pelo menos por um instante, se não por um carro, por um computador. Justin Barrett cunhou a sigla HADD, para dispositivo hiperativo de detecção de agente.** Detectamos de forma hiperativa agentes onde eles não existem, e isso faz com que suspeitemos de maldade ou bondade quando na verdade só há indiferença na natureza. Eu me pego alimentando um ressentimento feroz contra coisas inanimadas e inocentes como a corrente da minha bicicleta. Uma notícia recente deu conta de que um homem tropeçou num cadarço desamarrado no Museu Fitzwilliam, em Cambridge, caiu e quebrou três vasos da dinastia Qing de valor incalculável: "Ele caiu no meio dos vasos e eles se quebraram em milhões de pedacinhos. Ele ainda estava lá, sentado e assustado, quando os funcionários apareceram. Todo mundo ficou em silêncio, como que em choque. O homem ficava apontando para o cadarço, dizendo: 'Aí está ele; esse é o culpado'.''

domingo, 29 de dezembro de 2013

Lindinalva, a jumenta falante do facebook.

Esse ser mencionado no título do post, Lindinalva, é uma daquelas viúvas da ditadura, membro da direita tacanha e idiota que vem surgindo no Brasil. Esse post foi especialmente escrito para refutar as asneiras que ela disse em um comentário do evento humorístico ''Golpe Comunista 2014!'', comparando os supostos ótimos números de educação, saúde, segurança, economia e bem-estar popular  na época da ditadura com os atuais, advindos do governo federal do PT. Deliciem-se, e lembrem-se de jamais - J-A-M-A-I-S - defender esta triste época da história da nossa nação, marcada pelo endividamento, pelo sofrimento do trabalhador, pelas torturas nos porões e pela repressão midiática. As afirmações dela estão em vermelho e com aspas, e minhas respostas vêm logo abaixo (também uso aspas para indicar discursos de outros autores).

''Maior escândalo de corrupção da história contemporânea do Brasil;'' 

E o tremsalão tucano? E a corrupção na ditadura? Essas porras não existiram?

''Maior dívida interna de todos os tempos, 2,3 (dois trilhões e trezentos milhões de reais) E, dívida externa de 300 (trezentos bilhões de dólares); Inflação e juros em alta;''

DE ONDE CÊ TIROU ESSES NÚMEROS, SUA LOUCA? A dívida externa, no final do governo do Lula, caiu pra zero. A interna, subiu pra 1,4 trilhões, é verdade. Mas a dívida externa zerou. 

Segundo o link do Diogo, ''Para o Brasil, pouca ou nenhuma diferença faz para quem deve, o fato é que a dívida não só continua como aumentou'', o que é uma mentira. Faz sim. Nós aqui podemos controlar as taxas de juros que os credores brasileiros cobram, para que não sejam abusivos. Não temos o mesmo poder em relação ao mercado externo de crédito. Quanta à inflação? Fechamos o ano com mais ou menos 5% de inflação. O ano de 1985 fechou com 202% de inflação. Pequena diferença, não? Vamos ver um pouco do que o Cláudio Vicentino tem a nos dizer sobre 1974-1980: ''Esse crescimento (da economia e do PIB) não trouxe desenvolvimento. A distribuição de renda sofreu uma completa distorção.Em outras palavras: os ricos ficaram mais ricos e os pobres conseguiram a verdadeira proeza de... ficarem mais pobres. A maioria dos brasileiros não se beneficiou do 'milagre'. Isso porque a nossa crescente dependência do exterior e do capital estrangeiro levou-nos, muitas vezes, a produzir não o que era fundamental para a nossa população, mas o que era lucrativo para as multinacionais. O crescimento brutal da dívida externa obrigou-nos a exportar o que podíamos e o que não podíamos, diante da desesperada necessidade de obter dólares para pagar os juros e amortizar a dívida (que entre 64 e 80 passara de aproximadamente 3,5 bilhões de dólares para 77 bilhões). Esses fatores já eram suficientes para demonstrar que o 'milagre brasileiro' não tinha bases sólidas. E se a isso acrescentarmos o fato de que o regime deu pouquíssima atenção aos setores da saúde e da educação - que são fundamentais para o bom desempenho de uma economia moderna (Nota: o governo militar chegou a investir só 1% do PIB na educação. Fonte: http://www.epsjv.fiocruz.br/upload/d/cap_6.pdf , quanto à educação naquela época: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10.htm e http://a24horas.com/destaques/analise-da-educacao-no-periodo-da-ditadura-militar-brasileira-e-os-reflexos-e-saidas-para-a-educacao-atual/)- Chegamos à conclusão de que as bases do crescimento econômico daquele período não eram apenas pouco sólidas; na realidade, elas eram falsas. E ninguém percebia isso? Claro que sim. Alguns, claramente, enquanto muitos outros desconfiavam que algo não ia bem. Mas a propaganda, a repressão policial e a imprensa mantinham todos em prudente silêncio. E os poucos que se manifestavamm eram rapidamente retirados de circulação, acusados de contestadores, subversivos e... comunistas. A partir de 1974, porém, aquilo sobre que os tais 'contestadores' vinham tentando alertar - e até evitar - finalmente aconteceu. A economia mundial passou do crescimento à recessão. Os choques do petróleo pressionaram negativamente o balanço brasileiro de pagamentos. As taxas internacionais de juros subiram, as exportações ficaram mais difíceis, e nossos credores começaram a nos apertar. Internamente, a classe média, já empanturrada de bens de consumo duráveis, não tinha mais condições de ampliar seu consumo, enquanto a classe baixa, ganhando salários ínfimos, jamais poderia consumir a quantidade de produtos despejados no mercado. Resultado: as indústrias comelaram a ter dificuldade de vender sua produção(...)''. Fonte: Coleção de História Anglo, volume 3. Nem isso vocês leem, né?

ACHOU POUCO? Vamos ver o que Evaldo Vieira têm a dizer sobre as condições do trabalhador naquela época:

''O crescimento econômico do país repousava, em grande parte, no desempenho do setor industrial. Mas não foi apenas e principalmente o desempenho do setor industrial que se responsabilizou pelo crescimento do PIB. Houve também aumento do total de investimentos estrangeiros e estatais no Brasil. Este fato acabou provocando o aumento da dívida externa, que passou de 3,9 bilhões de dólares em 1968, para além de 12,5 bilhões de dólares em 1973. Assim, no governo de Médici, enquanto se festejava a embriaguez do dito 'milagre econômico', a dívida externa do Brasil crescia bem mais de 3 vezes. Os tecnoburocratas, que circulavam em volta dos enormes poderes do presidente da república, polemizavam sobre a distribição de renda à população¹. Uns preocupavam-se em distribuí-las durante o próprio curso do desenvolvimento econômico. Outros achavam necessário aumentar o tamanho do bolo, para depois repartí-lo. Têm-se a impressãod de que a ''teoria do bolo'' prevaleceu. O bolo era mínimo e poucos privilegiados levaram-no para casa. O povo não pôde prová-lo. É possível, devido à ampliação da dívida externa, que nem houvesse bolo, a não ser nas cabeças dos tais técnicos governamentais e nas fantasias projetadas pela propaganda política da presidência da república. Imagine-se o quadro melancólico dos assalariados, sem horizonte azul, tão pouco lembrado pelos discípulos da euforia. Dentro do período que se denominou 'milagre econômico', as condições pioravam para quem trabalhava. Em 1969, a produtividade real foi de 5,9 , mas os reajustes salariais tiveram seu cálculo com base em 3,0. Em 1971, a produção real foi de 8,1 , mas os reajustes salariais tiveram seu cálculo com base em 3,5. Em 1973, a produtividade real foi de 8,4 , mas os reajustes salariais tiveram seu cálculo com base em 4,0. As diferenças entre esses índices evidenciam a queda nos salários, cujos aumentos não correspondiam sequer aos discutíveis índices de produtividade real, obra dos donos do governo. Por outro lado, nunca é demais examinar a questão da alimentação dos trabalhadores. Analisando-se o tempo de trabalho necessário para se comprar os alimentos mínimos, conforme o Decreto-Lei nº399 de 1938, constatam-se muitas dificuldades dos assalariados. Em 1969, eram necessários 110 horas e 23 minutos, a fim de comprar-se a alimentação mínima, de acordo com o citado Decreto-Lei. EM 1973, eram necessárias 147 horas e 4 minutos para adquirir-se a mesma alimentação. Em nome do 'milagre brasileiro', ou do 'aumento do bolo', a maioria da população trabalhava mais, para comer. 

Mergulhados no silêncio imposto pela repressão política e nas mágicas divulgadas pela 
propaganda governamental, muitas pessoas comemoravam o SEU milagre econômico, ao passo que 
o restante dos brasileiros assistia à festas bem programadas. A maioria do povo sentia a vida sem milagre!''. Fonte: A República Brasileira: 1964-1984, págs 38 e 39.

TÃO AÍ EM CIMA, BANDO DE DESGRAÇADOS SAUDOSISTAS DA PORRA DA DITADURA, OS RESULTADOS DESSE REGIME NOJENTO.

''A quebra da Petrobras, maior empresa da América Latina, com dívida de 7,3 (sete bilhões e trezentos milhões de reais);''

O pai de um amigo meu, que trabalha lá a 30 anos, acha que a petrobrás está muito melhor que antigamente. Eu particularmente não sei, e vou pesquisar mais sobre o assunto.

''20 milhões de brasileiros na extrema pobreza e descontrole total do programa do bolsa família, que apenas serve para manter o voto cabresto, para perpetuar no poder;''

O BOLSA FAMÍLIA TIROU 10 MILHÕES DE PESSOAS NA MISÉRIA E AINDA FORTALECEU A ECONOMIA, SUA FDP. Para cada 1 real investido no programa, 1,44 retornavam. Fontes: http://www.istoe.com.br/assuntos/editorial/detalhe/170230_OS+EMERGENTES+DO+BOLSA+FAMILIA , http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/desistencia-do-bolsa-familia-chega-a-40.html , http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=17977.
 O bolsa família não é só pra manter voto de cabresto. Melhorou a vida de muita gente. O governo o complementou com os cursos do PRONATEC, e se tudo der certo, nós ainda faremos com que o imposto sobre grandes fortunas seja acionado para reduzir ainda mais a miséria e a desigualdade. OS MILICOS DESGRAÇADOS PODIAM TER ACABADO COM A PORRA DA MISÉRIA SE QUISESSEM, MAS NÃO FIZERAM ISSO. Sabe por quê? Porque eram um bando de corruptos lacaios das empresas e do capital estrangeiro =)  . Com suas palavras, o grande Edmar Bacha:

''Caso houvesse a intenção de resolver a intenção de resolver o problema da miséria no Brasil, qual seria a magnitude do problema a enfrentar? Para obter uma aproximação numérica, consideremos os dados de 1970, processados pelo Banco Mundial. Dividamos as famílias brasileiras em 2 grupos, de um lado os 40% mais pobres, de outro, os 60% acima de uma linha de demarcação da pobreza, que situamos em Cr$186,80 por mês (a preços de setembro de 1970).Tal era a renda média do decil de distribuição situado imediatamente acima dos 40% mais pobres. Essa renda mensal familiar praticametne iguala o salário mínimo vigente na época do Censo, o qual era de Cr$187,20 em São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com o Censo, a renda média das famílias brasileiras era de Cr$444,60 por mês. Já a renda média dos 40% mais pobres alcançava apenas Cr$85,60 por mês. Nessas condições, para que a renda de todas as famílias pobres (ou seja, os 40% abaixo da linha de pobreza previamente demarcada) alcance o valor de Cr$186,80 por mês, a porcentagem de renda total que precisa ser transferida dos não-pobres para os pobres pode ser calculada através da expressão:

                          0,4 x 186,60 - 85,60/444,60 = 0,09

Ou seja, para ELIMINAR a miséria no Brasil, o problema da miséria no Brasil, é preciso transferir 9% da renda total dos 60% mais ricos para os 40% mais pobres. Após esta transferência, os 40% mais pobres disporão de 17% da renda total do país, que é um valor apenas ligeiramente inferior à proporção encontrada na distribuição de renda das democracias ocidentais. Faz pouco sentido político ou econômico redistribuir renda de todos aqueles que estão acima da linha de pobreza antes definida. Os 9% de renda a serem transferidos aos mais pobres deviam sair predominantemente da renda dos 10% mais ricos, que atualmente se apropriam da desmesurada proporção de 49% da renda total. Após a transferência de renda, os 10% mais ricos continuarão desfrutando de 30% da renda total, o que é um valor compatível com os valores observados não só nas democracias ocidentais, como também em países em desenvolvimento, como Formosa e Coreia do Sul''. Fonte: Política Econômica e Distribuição de Renda, págs 60 e 61. Isso aí era de 1978.

EM RESUMO: OS MILICOS DA DITADURA ERAM UM BANDO DE FDP'S QUE ESTAVAM CAGANDO PRO POVO. E a asna ainda me vem com uma imagem dessas:


''Maior quantidade de Ministérios do planeta (39 ministérios para abrigar o maior cabine de emprego do mundo),lembre-se no Regime Militar era apenas 12 ministérios''

Pois é, o regime militar chegou a investir só 1% do PIB na saúde, tinha péssimas condições
de IDH e escolaridade, como já foi demonstrado acima, e eu faço o favor de repetir o quão ruim estava o país quando saiu das mãos dos militares:
 Também fez a inflação subir de 88% a 202% ao ano só de 1981 a 1984 e os trabalhadores e estudantes sofriam o diabo a quatro sem poder reclamar um pingo. Eu prefiro os 39 ministérios, apesar de achar que eles deveriam ser reduzidos e que tanto o salário quanto o número de políticos deveriam ser diminuídos também.


''Sucateamento das Forças Armadas e desmotivação da tropa''

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/11/1373860-projetos-militares-lideram-investimentos-do-governo-federal.shtml

''A Saúde na UTI a Educação um caos e Segurança a mais insegura da república, com mais de 50 mil mortes e desaparecidos ao ano. Lembre-se no Regime Militar, foi de menos de 500 mortos e desaparecidos em 21 anos, nos confrontos de militares nacionalistas e guerrilheiros terroristas, sem contar o "tribunal de justiçamento" dos guerrilheiros comunistas, onde os companheiros matavam uns aos outros, era o pacto firmado por eles''

Sobre a educação, eu já falei que ela é muito melhor do que na ditadura, o IDH de hoje dá porrada no IDH da época dos milicos. Sobre a segurança:

''O presente ensaio surgiu a partir de uma discussão em sala de aula do curso de Ciência Política na Faculdade América Latina, em Caxias do Sul/RS.
 Discutia-se a questão da violência. Um de meus alunos, ferrenho defensor de regimes ditatoriais, ergueu a voz afirmando que no Regime Militar Brasileiro (1964-1985) não havia criminalidade, não tinha violência e que um cidadão podia sair à noite e nada lhe aconteceria. No entanto, agora no período democrático todos tinham medo de sair na rua.
“Que democracia é esta?”, exclamou ele. Esta é uma pergunta extremamente interessante e que todos aqueles que defendem o período militar a “tiram do bolso” em qualquer situação. É quase como uma afirmação de fé: não se comprova cientificamente a existência de determinado fenômeno religioso. É como uma verdade absoluta que está escrita em um “livro sagrado” e é intocável.Não podemos afirmar que inexistia criminalidade no período militar. Existia, mas não nas mesmas proporções dos dias de hoje. No entanto, o que os defensores do extinto regime se esquecem de contar é que ao longo dos sucessivos governos democraticamente escolhidos pelo povo brasileiro (Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart) tinha uma violência inferior ao do período militar''.
Fonte: Ensaio sobre Ditadura, criminalidade, democracia, liberdade e criminalidade no Brasil repúblicano- Rodrigo Santos de Oliveira; retirado do link: http://www.seer.furg.br/hist/article/view/3160/1827

Agora mostre suas fontes de que ''no Regime Militar, foi de menos de 500 mortos e desaparecidos em 21 anos''.

Links legais:
http://www.historiazine.com/2011/08/o-cidadao-brasileiro-sob-a-ditadura.html
(Abram o vídeo no youtube e observem os links na descrição)


Sintetizando: QUE VÁ TOMAR NO CU TODO MUNDO QUE PREFERE A DITADURA MILITAR ASSASSINA À NOSSA DEMOCRACIA PROGRESSISTA!

E fico por aqui.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Discurso

 ''O orgulho nacional é, para os países, o que a auto-estima é para os indivíduos: uma condição necessária para o auto-aperfeiçoamento'', disse o filósofo norte-americano Richard Rorty em seu livro Achieving Our Contry, e sinto que devo concordar com ele. Somente quando um povo se orgulha de si como nação, quando possui uma imagem inspiradora de seu país, é que este pode progredir, pois é quando o povo, na exigência de melhorias imediatas, faz seus governantes trabalharem em prol da população.

 Para compreender melhor isso, basta lembrar das manifestações de meados de 2013: quando questionados e pressionados pelo povo, os governantes imediatamente agiram, atendendo às requisições feitas. As manifestações, ainda que marcadas por um triste antipartidarismo (que é infelizmente compreensível, graças aos escândalos de corrupção que se ouve todo dia), foram palco de um belo nacionalismo, de identificação do cidadão com um algo maior, algo que rompe as barreiras do preconceito racial, sexual ou regional, que exalta as semelhanças ao invés das diferenças.

 Nós, brasileiros, estamos acostumados a ter uma visão negativa do nosso país. Séculos tristes compostos por escravidão, ditadura, corrupção e subdesenvolvimento não sairão tão cedo das nossas memórias. Nós desenvolvemos um angustiante complexo de inferioridade, e tudo passou a parecer melhor do que aquilo que o Brasil tem a oferecer -sejam as condições de alimentação em Cuba, seja o desenvolvimento de um EUA ou Japão. O problema desse sentimento é que ele impede o nosso progresso: começamos a acreditar que as coisas JAMAIS mudarão, que NENHUMA atitude pode ajudar o país, que NADA adiantará para transformá-lo... E este sentimento precisa de um basta.

 Nós esquecemos que também possuímos nossas pequenas glórias, nossas vitórias. Esquecemos que foi a nossa força como população que deu fim à ditadura. Esquecemos que nosso povo é famoso, no exterior, como um povo trabalhador, alegre e acolhedor. Esquecemos que é mérito do nosso governo a criação de um programa que tirou milhões da miséria, com um mínimo gasto do PIB -programa esse que agora é elogiado pela ONU e indicado para outros países. Como qualquer outra nação, a nossa  apresenta altos e baixos, ainda que talvez os baixos superem os altos. Nossos resultados em educação ainda são ruins, é verdade. A desigualdade econômica causa pena. O estado da saúde pública é de causar vergonha. Mas nós nos encontramos numa situação muito melhor que a de tempos anteriores. Nós progredimos, e caso se estudem os detalhes dessas mudanças progressistas, ver-se-á que um forte desejo de melhorar as condições de vida do povo brasileiro está enraizado em cada uma delas. E é esse mesmo desejo que devemos carregar para as urnas nas eleições de 2014(e não só nelas), para de fato melhorar o país.

 Espero que não confundam esse discurso com o discurso ufanista da ditadura militar. Os militares invocaram o nome da nação para dar a luz à um regime violento, opressor, catastrófico. O orgulho nacional que eu exalto aqui é outra coisa: trata-se de uma paixão pelo ideal da democracia, pela inclusão das camadas oprimidas, pelo direito à livre-expressão, pela redução da desigualdade econômica. Trata-se de uma fé fervorosa no país -uma fé sem dogmas e sem superstições, porém.

 O meu desejo, ou melhor, o meu pedido à todos aqueles que leram ou ouviram esse discurso é o seguinte: despertem para o seu país, para o seu povo. Por algum tempo, abandonem as futilidades -o consumo alienado, a procrastinação- e preocupem-se com a nossa situação. Encham seus corações com o mesmo desejo flamejante que moveu todos aqueles cidadãos que, na década de 80, ressuscitaram a democracia tupiniquim. Pintem suas caras, façam faixas, visitem sindicatos, entrevistem políticos, definam suas causas e vão às ruas. O ano de 2013 mostrou que o povo brasileiro, com razão, não está satisfeito com o estado de seu país. Somente novas manifestações, unida à uma verdadeira politização da população, será capaz de trazer as mudanças necessárias.

 O gigante ainda não acordou, mas podemos ter certeza que isso acontecerá quando ele sentir o calor dentro de seu peito -quando ele sentir que a paixão do povo brasileiro por seu país é maior que seus problemas, e que ela pode resolvê-los.

sábado, 16 de novembro de 2013

Estamos perdendo nossa identidade?

 Nesse momento, somos 7 bilhões de pessoas sobre a Terra. Com uma taxa de crescimento altíssima (vale lembrar que em 1950 éramos 2,5 bilhões, ''apenas''), podemos dizer que, em breve, enfrentaremos os problemas da superpopulação, se é que já não estamos enfrentando. Mas não quero falar sobre isso. Não, não, quero falar de outro problema relacionado ao desenvolvimento: a perda da nossa identidade no mundo globalizado.

  A partir da 1ª Revolução Industrial, a maior parte da população-o proletariado-passou a exaurir-se na venda de sua força de trabalho, apenas para obter o dinheiro mínimo para sobreviver e sem sequer poder usufruir dos resultados de seu próprio trabalho nas indústrias primitivas. Foi mais ou menos o que Karl Marx chamou de Trabalho Alienado. As péssimas condições de trabalho da época foram a força impulsionadora para o surgimento dos movimentos sindicais porvir, influenciados pelas ideias de Marx. Após mais de um século de movimento operário, as condições do trabalhador melhoraram, em questão de saúde, lazer e educação etc¹. Hoje porém, nesse redemoinho que é a sociedade de consumo, o cidadão comum sofre com um novo mal, a superficialização da própria identidade.

 Desde crianças, estamos cercados por todo tipo de propaganda consumista, mesmo que ainda não estejamos em condições ideais para decidir o que de fato precisamos². Não que o consumo elevado seja, propriamente, um mal; ele parece ser uma característica intrínseca dos países desenvolvidos. Mas será que é ideal seguirmos esse tipo de desenvolvimento? O problema do consumo excessivo é que, além da enorme quantidade de resíduos gerado, os consumidores perdem sua singularidade, tornam-se iguais à todo mundo, uma massa de manobra focada em comprar. O mercado lança um produto-um carro novo, um celular novo, uma roupa nova-e logo faz seu marketing, alavancando-o à um status que é risível para qualquer pessoa com um olhar crítico: quem tem x é top, é cool, é diferente dos outros mortais; E nós, o proletariado orwelliano, caímos como uma ovelhinha. Ridículo, eu sei. Mas é o que acontece, todo ano.

 E nesse turbilhão de superficialização, onde o objetivo máximo da população é ter o produto da moda (seja o novo galaxy, o tênis daquela marca insuperável ou mesmo um corpo sarado), o indivíduo em si vai ficando desbotado. Oras, se só é legal ter aquilo que todo mundo quer, por quê ser original? Por quê ter características próprias?

 Não há mais originalidade entre as pessoas. Tudo o que fazemos é copiar os modelos pré-existentes, sem inovar. A consequência final disso tudo-isto é, da generalização do pensamento único-é um povo alienado, cujas pessoas pouco diferem umas das outras. Aos poucos, há também uma despreocupação com a manutenção do status quo (''pra quê realizar reformas sociais, se eu finalmente estou ficando rico?'', diz a nova direita intelectual brasileira, que ainda por cima deseja eliminar alguns benefícios sociais já existentes, conseguidos com muita luta), e uma  despolitização da juventude, como se demonstra pelas recentes manifestações: uma massa foi à rua, completamente desorganizada, reclamando de tudo e sem apresentar solução pra nada. E, quando  membros da juventude de certos partidos (estes com uma chance maior de mudar as coisas) quiseram se juntar ao movimento, foram expulsos a tapas. Não surpreende que as manifestações tenham esfriado em tão pouco tempo. A maioria daqueles jovens não estavam realmente preocupada em mudar o Brasil. Foram para a rua porque todo mundo estava indo. Foram para a rua porque participar das manifestações era o novo produto da moda.

 É nesse contexto de imbecilização e aculturação, auxiliado por uma mídia manipuladora, que vamos perdendo nossa identidade, seja a nacional, regional ou pessoal. Precisamos recuperar o que é nosso, ou mais que isso: precisamos recuperar o nosso próprio ''eu''. Precisamos discutir ideias, questionar dogmas, apresentar soluções. Precisamos enterrar para sempre os velhos ''x ou y não se discute''. Precisamos ser originais, autônomos, tanto nas artes como na ciência e na política. Que os grupos opressores temam diante de uma revolução democrática! Os cidadãos nada tem a perder a não ser suas algemas. Eles têm um mundo a ganhar. Brasileiros de todo o país, uni-vos!

NOTAS

1- Infelizmente, em muitos lugares do mundo, as crianças ainda sofrem com o trabalho infantil, e em condições até similares aos das primeiras indústrias inglesas. Leia mais aqui:
http://www.historyextra.com/book-club/childhood-and-child-labour-british-industrial-revolution

2- Segundo Noam Chomsky,''os Estados Unidos simplesmente passaram a dirigir países como o Brasil, que há cerca de 50 anos tem sido controlado por tecnocratas norte-americanos. Com o peso dos seus recursos já deveria ser um dos países mais ricos do mundo, e já teve as taxas de desenvolvimento mais altas. No entanto, devido à influência norte-americana no seu sistema econômico e social, está situado perto da Albânia e do Paraguai em termos de qualidade de vida, mortalidade infantil, etc''. Lembre agora do fato de a Rede Globo ter feito alianças com a ditadura militar, e esta, com o governo dos Estados Unidos. Lembre da enorme puxação de saco das grandes figuras da mídia brasileira (como a nojenta Veja) para o país norte-americano. Lembre da instalação do neo-liberalismo e da privatização desenfreada de certos grupos políticos nos anos 80-90. A maior parte do nosso mercado está dominado por produtos estrangeiros. E olha que Chomsky falou isso por volta de 1994...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

25 frases de Einstein que todos deveriam conhecer

...e mais outras 5, só pra provocar:

1-A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia. Abrangendo os terrenos material e espiritual, essa religião será baseada num certo sentido religioso proveniente da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, como uma entidade expressiva ou como a expressão da Unidade.

2-Saber que existe algo insondável, sentir a presença de algo profundamente racional, radiantemente belo, algo que compreendemos apenas de forma rudimentar-esta é a experiência que constitui a atitude genuinamente religiosa. Neste sentido, e somente neste sentido, eu pertenço aos homens profundamente religiosos.

3-O característico do homem religioso consiste no fato de ter se libertado das algemas de seu egoísmo, construindo, por seu modo de pensar, sentir e agir, um mundo de valores suprapersonais, aprofundando e ampliando cada vez mais o seu impacto sobre a vida.

4-Nas crianças reside a esperança do mundo.

5-Aceito o mesmo Deus que Spinoza chama de alma do universo. Não aceito um Deus que se preocupe com nossas necessidades humanas.

6-Talvez algum dia a solidão venha a ser adequadamente reconhecida e apreciada como mestra da personalidade. Há muitos que os orientais o sabem. O indivíduo que teve a experiência da solidão não se torna vítima da sugestão das massas.

7-Meu ideal político é a democracia. Seja cada homem respeitado como indivíduo, e ninguém idolatrado.

8-Os gênios religiosos de todas as épocas têm-se distinguido do comum dos mortais por uma espécie de sentimento religioso cósmico, que não conhece dogmas nem concebe um Deus à imagem do homem. Por isso não pode haver igrejas cujos ensinamentos centrais se apoiem nesse sentir. Será, portanto, entre os heréticos de todas as épocas que vamos encontrar homens impregnados do mais elevado sentimento religioso, considerado por seus contemporâneos ora como ateus, ora como santos. Através desse prisma, homens como Demócrito, Francisco de Assis e Spinoza estão muito próximos uns dos outros.

9-A paz é a única forma de realmente nos sentirmos humanos.

10-Nós, cientistas, acreditamos que o que nós e nossos semelhantes fizermos ou deixarmos de fazer nos próximos anos determinará o destino de nossa civilização. E consideramos nossa tarefa explicar incansavelmente essa verdade, ajudar as pessoas a perceber tudo aquilo que está em jogo, e trabalhar, não para contemporizar, mas para aumentar o entendimento e conseguir, finalmente, a harmonia entre povos e nações de diferentes pontos de vista.

11-Há apenas um caminho para a paz e para a segurança: o da organização supranacional. O armamentismo unilateral, em base nacionalista, apenas intensifica a incerteza e a confusão generalizadas, sem constituir-se uma proteção eficaz.

12-Quanto mais avança a evolução espiritual da humanidade, tanto mais certo me parece que o caminho para a religiosidade genuína não passa pelo medo da vida, nem pelo medo da morte, nem pela fé cega, mas pelo esforço por atingir o conhecimento racional. Neste sentido, creio que o sacerdote tem de se tornar professor, se deseja fazer jus à sua sublime missão educativa.

13-Através dos livros científicos populares, logo me convenci de que muitas das histórias da Bíblia  não podem ser verdadeiras. A consequência de tal fato foi uma positiva atividade fanática pela liberdade de pensamento, junto com a impressão de que os jovens estão sendo intencionalmente ludibriados.

14-A humanidade se apaixona por finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as abominava.

15-Neste momento da história da Vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem. Transfere para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres pela realização de ritos ou de sacrifícios. Porque a memória das gerações passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.

16-A violência fascina os seres moralmente fracos. Um tirano vence por argúcia, mas seu sucessor será sempre rematado canalha. Por esta razão, luto sem tréguas e apaixonadamente contra os sistemas dessa natureza.

17-Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência gratuita e o nacionalismo exacerbado. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me assassinar a participar dessa ignomínia.

18-Não posso imaginar um Deus a recompensar e a castigar o objeto de sua criação. Não posso fazer ideias de um ser que sobreviva à morte de seu corpo. Se semelhantes ideias germinam em um espírito, para mim ele é um fraco, medroso e estupidamente egoísta.

19-O espírito cientifico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um ser de quem esperam benignidade e do qual temem o castigo.

20-A ideia do rebanho humano me leva a falar da pior excrescência do espírito humano: o militarismo, que eu detesto. Se alguém é capaz de marchar em fila com prazer, ao som de uma banda, basta para merecer meu desprezo.

21-Evidentemente, nós existimos para nossos semelhantes--em primeiro lugar, para as pessoas queridas de cujos bem-estar e sorrisos depende nossa felicidade; depois, para todos esses seres que não conhecemos pessoalmente, aos quais, entretanto, estamos ligados pelos laços de simpatia e fraternidade humanas.

22-A razão é fraca naturalmente, quando defrontada como sua tarefa infindável. Fraca realmente, se comparada às loucuras e paixões da humanidade, as quais, temos de admitir, quase inteiramente controlam o nosso destino humano, nas grandes e pequenas coisas. No entanto, a obra do entendimento sobrevive às gerações barulhentas e espalha luz e calor através dos séculos.

23-A inteligência e o caráter das massas são incomparavelmente inferiores à inteligência e ao caráter dos poucos que produzem algo de valor para a comunidade.

24-A ciência não apenas purifica o espírito religioso do azinhavre de seu antropomorfismo, mas contribui também para uma espiritualização religiosa de nossa compreensão.

25-Enquanto existirem exércitos, qualquer desentendimento mais sério nos levará à uma guerra. Um pacifismo que não tenta impedir as nações de se armar é e será um pacifismo impotente. 

26-Sou um descrente profundamente religioso. Isso é, de certa forma, um novo tipo de religião.

27-Jamais imputei à natureza um propósito ou um objetivo, nem nada que possa ser entendido como entendido como antropomórfico. O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que só compreendemos de modo muito imperfeito, e que não tem como não encher uma pessoa racional de um sentimento de humildade. É um sentimento genuinamente religioso, que nada tem a ver com misticismo.

28-A ideia de um deus pessoal me é bastante estranha, e me parece até ingênua.

29-É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do universo, do modo como a ciência é capaz de revelar.

30-A palavra ''Deus'' para mim nada mais é do que a expressão e produto da fraqueza humana, e a bíblia uma coleção de lendas honradas, mas ainda sim primitivas, que são bastante infantis.
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Fontes das afirmações:

O pensamento vivo de Einstein, editora Martin Claret.
Einstein e a religião, Max Jammer.
Carta-resposta ao filósofo Eric Gutkind, escrita (por Einstein) em 1954.


domingo, 27 de outubro de 2013

ISTOÉ e os ataques estúpidos à ciência tupiniquim

 Há um lobby criacionista agindo no meio universitário brasileiro. Famosos aqui desde o ''Darwinismo Hoje'', evento anual realizado na universidade presbiteriana Mackenzie, os autodenominados ''criacionistas científicos'' têm feito de tudo para inserir sua crença no ensino brasileiro, forçando nossos estudantes a aprender como correto aquilo que é absurdo: que o mundo foi criado após da domesticação do cachorro.

 Este ano, a mais nova ideia desses corruptores da educação era realizar o evento ''1º Fórum de Filosofia e Ciências das Origens'' na UNICAMP, universidade famosa por ser um dos maiores centros de pesquisa em terras brasileiras. O evento RELIGIOSO possuía apenas UM membro do corpo docente da universidade dentro do grupo de palestrantes, o professor Marcos Eberlin, do Instituto de Química da mesma, e esse não possui sequer um artigo publicado sobre criacionismo ou design inteligente (apesar de ser frequentador assíduo do evento da Mackenzie citado anteriormente). Ou seja: não seria um debate realmente científico sobre a Teoria da Evolução, mas apenas um grupo de religiosos e um cientista falando mal dela.

 Toda essa polêmica deixa transparecer que as pessoas ainda não compreenderam o que é ciência. Entendam: ciência é uma ferramenta que funciona dando explicações NATURAIS para as nossas perguntas. Questionando a natureza, como alguns cientistas dizem, é possível descobrir as forças que agem transformando nosso mundo. O que esses criacionistas querem é meter suas crenças cientificamente infundadas nos livros didáticos, usando explicações míticas e provindas de um livro cheio de erros em relação à natureza; diferentemente dos cientistas, que analisam os fatos para chegar a uma conclusão, os criacionistas já têm uma conclusão e buscam (e distorcem) fatos para respaldá-la. E ao invés de manter essa propagação da ignorância dentro de seu espaço privado, como a Mackenzie, onde eles têm todo o direito de fazê-lo, querem pô-la nas universidades públicas. Um comentário do biólogo Carl Zimmer sobre o Design Inteligente, a alternativa ''científica'' dos criacionistas à Evolução, pode ser lida aqui.

A ISTOÉ entra nessa história agora. Logo após o cancelamento desse vergonhoso evento, por parte da administração central da UNICAMP, a revista publicou numa matéria que tal cancelamento ocorreu devido à um ''grupo de ateus'', e responsabilizou, principalmente, o professor de física Leandro Tessler, autor do excelente blog cultura cientifica. Com um ridículo papinho de vítima (''Fomos boicotados por professores ateus'', ''hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira'', choramingou Rodrigo Silva), a ISTOÉ tentou convencer seus leitores de que o evento fora cancelado simplesmente por militância ateísta, e não por ser um evento completamente PSEUDOCIENTÍFICO e inadequado ao ambiente acadêmico público. A matéria finaliza com mimimi's sobre o cancelamento da palestra de Adauto Lourenço, conhecido por ser um dos mais intelectualmente desonestos negadores da Evolução e do Big Bang no Brasil, e da retirada dos cartazes da universidade na palestra de Fazale Rana sobre Design Inteligente (palestra essa que não contaria com o corpo docente de professores de ciência da universidade).

 Não é necessário dizer que o D.I. é uma das propostas mais anticientíficas já vistas: a noção de que nós fomos inteligentemente moldados, mesmo com nosso estúpido sistema digestório ligado ao respiratório e nossas dores nas costas, herança do andar quadrúpede natural (como você pode conferir aqui). O D.I. é obra de fundamentalistas cristãos que anseiam confirmar suas crenças, por meio da distorção de fatos e negação de outros, e nada mais.

 Uma última afirmação: a origem da vida pela Abiogênese e sua diversificação por meio da Evolução são hoje amplamente suportadas por uma gama de evidências, e não precisam da negação ou inexistência de deus para terem credibilidade. Não precisa ser ateu para acreditar nelas. Basta ter bom senso.


PS. Aqui está a matéria (extremamente maniqueísta) da revista ISTOÉ sobre o tal evento. Não assusta que ela esteja contribuindo para a divulgação de pseudociência. Numa matéria passada sobre milagres, a revista afirmou que os mesmos só são declarados como tal após a avaliação de uma ''bancada de teólogos e cientistas'' do Vaticano. O problema com isso é que cientista algum aceita (ou deveria aceitar) nada como milagre. O dever de um cientista é achar uma explicação natural, e crendices sobrenaturais não fazem parte deste escopo.

sábado, 5 de outubro de 2013

O que é moral? - Parte 1

 A discussão pela definição de Moral é antiga, e remonta aos primeiros filósofos. Na verdade, creio que o conceito de Moral é tão antigo quanto a organização social do Homo sapiens. Mas vamos ao que interessa: a moral pode ser definida como o conjunto de hábitos, costumes e valores de um grupo ou indivíduo. É por meio de nossa moral que classificamos as coisas como boas ou más, adequadas ou inadequadas, e por aí vai. Para entender melhor esse conceito, tome este exemplo: muitas coisas relacionadas à sexualidade são tabus em nossa sociedade, e é comum ver pessoas (especialmente mais velhas ou vindas de famílias/comunidades conservadoras) dizendo que falar de assuntos como sexo ou nudez é imoral, algo feio, reprovável, que deve ser evitado. Obviamente, nesse exemplo, a atitude de falar sobre os citados tabus é classificada como moralmente má.

 Porém a moral não é igual  para todos: ela está extremamente condicionada à culturas e situações. Muitas vezes, até indivíduos que sejam classificados de forma similar (mesma religião, mesma profissão, mesma faixa etária, etc) podem possuir sistemas morais incrivelmente diferentes. Algumas pessoas- inclusive filósofos -argumentam que a moral é objetiva (ou seja, que todos os seres humanos apresentam os mesmos valores morais básicos); que a mesma teria sido posta por Deus no homem, que se diferencia dos outros animais por ser uma criatura racional e moral. Evidentemente, esse argumento depende da crença de que o homem seja o projeto de um criador divino, e como não compartilho de tal crença, não o aceito, e portanto tentarei refutá-lo.
 
 O primeiro contra-argumento que penso existir é a enorme diferença de valores entre os grupos religiosos, que são os que mais afirmam ter uma moral divina objetiva e inata. Os cristãos católicos, por exemplo, têm milhares de santos, espécies de sub-divindades relacionadas à resolução de vários tipos de problemas (além do apadrinhamento). A ajuda deles é supostamente acessível por meio das orações, que também seriam o canal de comunicação direta com Deus, pelas quais seriam concebidos milagres e favores pedidos ao próprio Criador.

Tais coisas - a oração e a adoração de santos - são características marcantes da confissão cristã católica, e eu não vejo porquê não classificá-las como superstição (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16569567). Um exame mais minucioso das superstições será realizado mais à frente, portanto, prossigamos. Os cristãos evangélicos (e as outras denominações protestantes, em geral), ao contrário, são extremamente aversos à adoração de imagens, santos ou ''ídolos'', embora a oração possua a mesma função de canal de comunicação direta com Deus. A origem de tamanha diferença entre esses dois grandes grupos provavelmente está no antigo Império Romano, quando Constantino decidiu unificar seu território transformando o cristianismo na religião oficial do Estado. Uma série de características das religiões pagãs(como as subdivindades, o nascimento em 25 de dezembro, o natal etc) provavelmente foi englobada ao cristianismo nesse período, talvez por meio do sincretismo. Uma situação parecida pôde ser observada aqui no Brasil, quando os escravos cultuavam seus deuses através das imagens dos santos católicos, mixando suas características. Muito tempo depois da unificação do Império Romano, homens como Martinho Lutero e William Tyndale, insatisfeitos com algumas doutrinas da Igreja Católica, tentaram traduzir a Bíblia para seus idiomas, atos que deram origem à um novo segmento cristão, marcado pela moralidade hebraica do Antigo Testamento, principalmente a adoração exclusiva à Jesus e seu pai, Jeová.

 Em resumo, mesmo numa única religião, que adora ao mesmo deus, a diferença de valores é gritante. Observando de maneira mais geral, poderemos ver o quanto é heterogêneo o conjunto moral das várias religiões: enquanto que os hebreus, por exemplo, abominam a homossexualidade, os gregos (ou melhor, os atenienses) viam-na de forma extremamente natural. Ambos acreditavam que o ser humano havia sido criado por um deus.